sexta-feira, 12 de setembro de 2014

É bom ou é mal?

Naquele final de tarde todos viram.
Além do horizonte avistamos um robô.
As reações das pessoas ao meu redor foram bem variadas, algumas correram, outras ficaram em estado catatônico, algumas até desmaiaram.
Lembro-me de em algum momento ouvir alguns gritando:
- que porra é essa?
Naquele momento eu não sabia dizer de onde vinha aquele ser, se era bom ou mau, mas de qualquer forma eu não poderia esperar demais para tomar minha decisão e só sabia de uma coisa e disse ainda que baixo, mais para mim do que para as pessoas que passavam por mim desesperadamente fugindo da ameaça:
- hoje eu vou matar esse ROBO GIGANTE!
Há poucos metros dali o matador vira uma loja de armas e seja quem for que tomava conta daquele recinto fugira sem preocupar-se em fechar.
Ali dentro ele encontrara os mais variados tipos de revolveres e pistola e um único rifle de caça que para sua sorte, ou não, ele sabia manusear pois há mais de um ano ele começara a praticar tiro ao alvo, e começara usando rifles depois pistolas e por fim revolveres.
Da loja ele levara duas Desert Eagle, uma Magnum 45 e um rifle Rossi 62 AS e muita munição, o quanto ele conseguira levar.
Ao sair da loja vira um rapaz debaixo de uma moto, uma CB 500, provavelmente ele fora um dos que desmaiara ao ver o genocida metálico gigante.
- vou pegar a tua moto camarada, depois eu devolvo. – comunicara ainda com provável dono desacordado.
O aspirante a assassino de autômato colocara o capacete, dera partida na moto, respirara fundo e acelerara para a direção da lata com inteligência artificial, desprovida das três leis e exterminadora da raça humana.
O rifle de caça estava em sua costa, as duas deserts em coldres presos a coxa, uma de cada lado e a Magnum e um coldre preso em sua cintura do lado direito.
- é agora.
Aquele robô não deveria ter menos de sete metros de altura.
Meu coração rufava tão ou mais rápido do que Aquiles Priest usando pedal duplo.
A cada metro que eu dava em direção a meu alvo, meu corpo gelava ainda mais, minhas mãos suavam frio assim como o suor que tentava descer pela minha testa, mas que era impedida pela almofada do capacete.
A pouco mais de cem metros de distância da pilha de metal e cabos, o matador começara a pilotar a moto com apenas a mão direita e com a outra começara a atirar usando um das pistolas.
Estava sendo bem difícil para mim aguentar o coice da pistola, apesar de eu ser um pouco acostumado a atirar.
Eu mirava para acertar o joelho, mas apenas uns dois ou três tiros pegaram, mas não fora suficiente para a máquina se ajoelhar, mas fora o suficiente para chamar a sua atenção e na hora eu não sabia se aquilo ela bom ou ruim.
Os sensores do gigante de metal informaram ao seu cérebro positrônico que o que poderia ser chamado de joelho recebera alguns danos, e assim que recebera as informações procurara a fonte desses danos e vira um ser pequeno em cima de um veículo de duas rodas, segurando uma arma e vindo em sua direção.
O ser desproporcionalmente grande decidira eliminar aquele pequeno empecilho, mal sabia ele que não seria tão fácil.
A criatura de metal começou a vir em minha direção e eu não sabia ao certo o que fazer, eu estava muito nervoso, mas decidido, poria fim naquela lata velha antes dos matadores oficiais chegarem, eu precisava entrar pro time dos matadores.
A primeira investida do meu algoz contra mim foi um tapa com a costa da mão direita, um tapa que varreu o asfalto arrastando tudo o que houvesse no caminho.
Larguei a pistola, reduzi à macha e acelerei, o motor gritava quase que em um clamor de “não faz isso comigo”, mas eu não tive dó, iria explorar o máximo dele.
Escapei por milímetros e só depois de escapar que me toquei da burrice que foi largar uma das pistolas.
A mão da sucata metálica por pouco não atingira seu alvo.
O novo assassino de seres asimovianos fizera um cavalinho de pau girando com a moto cento e oitenta graus novamente partindo em direção a seu alvo. Novamente guiando a moto apenas com a mão direita, o que deixava as coisas mais difíceis, pois ele não era canhoto, mas o acelerador da moto ficava do lado direito.
Fizera mira e disparara várias vezes, a mira era imprecisa pela falta de estabilidade no asfalto e expertise com a mão contraria.
Apesar da falta de precisão nos tiros eles surtiram efeito e a maquina ajoelhara-se, mas em resposta descera a sua mão esquerda no chão na tentativa de conseguir acertar o ser que lhe causara dano.
O jovem determinado conseguira desviar-se do punho no chão, mas não esperava que o monstro continuasse seu ataque arrastando sua mão no asfalto e batendo em cheio a lateral esquerda da moto esmagando a perna de seu piloto.
A moto e seu piloto foram arremessados para dentro de uma loja de roupas.
A moto passara voando pela cabeça do piloto, a poucos milímetros de sua cabeça.
Puta que pariu. Que dor filha da puta que senti na perna naquele fim de tarde.
Por pouco a porra da moto não me acertou. Me pus a perguntar que loucura era aquela de querer enfrentar um robô gigante. Naquele instante percebi que aqueles três eram loucos, Diogo, Affonso e Beto, quem em são consciência caía na porrada com uma criatura daquelas.
Não conseguia mexer a minha perna, estava com uma puta dor na coluna, e no resto do corpo também. Havia perdido mais uma arma, mas ainda tinha o rifle e o revolver.
Meu coração quase saltou do peito quando vi o genocida metálico se arrastando na minha direção, cheguei a ficar alguns segundos sem ação, mas naquele momento eu não podia me dar ao prazer daquilo.
Puxei o rifle fiz mira no que poderia ser chamado de olhos do robô, um par de câmeras com luzes de led ao seu redor.
Booommm
O primeiro tiro foi no alvo, por uma fração de segundos acreditei na possibilidade daquele robô ter sua fonte de energia na cabeça, pena que não era.
Várias esferas metálicas atravessaram os sensores oculares do robô, o seu cérebro registrou como danificada aquela peça, e também disse que aquele alvo deveria ser eliminado o mais rápido possível.
E assim o robô faria.
A primeira coisa que fez foi tentar pôr-se de pé ainda que só com uma perna, ainda com pouco equilíbrio começou a tentar derrubar o teto da loja que era de alvenaria.
Quando senti a loja tremer, me deu vontade de chorar, pensei que aquela ideia foi uma ideia de merda, por que raios eu havia feito aquilo? Comecei a lembrar dos meus pais e amigos, minha namorada, tínhamos tantos planos juntos e eu havia acabado de mandar tudo para o espaço por canta de uma ideia insana.
O jovem aspirante a matador já havia entregue a luta, já havia jogado a toalha, largado o controle, desistido de lutar, mas um estampido alto e o som de uma explosão o tirou daquele transe.
Do lado de fora da loja Beto acabara de disparar um tiro da G.A. – que agora se chamava Claudia.
O tiro não acertara nenhuma parte vital, mas arrancara a perna que restava.
- porra beto, tu podia ter acabado logo com isso. – Diogo reclamara enquanto descia de paraquedas e fazia mira com um rifle. E disparara vários tiros na cabeça do ser asimoviano, fazendo seus sensores entrarem em curto.
- calma, calma matadores – Affonso entrara também na conversa que rolava pelos comunicadores, imitara a voz de um apresentador famoso nos brasil e bastante imitado. Ele estava chegando de moto, usando jaqueta de couro e óculos escuros.
- aê rei dos escritores já descobriu onde fica a fonte de energia ou o cérebro dessa latona? – perguntara Beto em uma cover base aguardando o tempo de recarga da Claudia.
- duque das estampas, o próximo tiro tem que ser no que podemos chamar de abdômen, a fonte de energia dele fica junto da unidade de processamentos.
Beto limitara-se apenas a sorrir e esperar o pouco que ainda faltava para o próximo tiro.
Affonso continuara avançando contra a maquina, e não poderia deixar de dar uns tiros.
Atirara no ponto fraco do gigante que estava prestes a se tornar sucata.
Definitivamente esses caras estão em outro nível. Eles mal haviam chegado e a criatura já estava quase em curto circuito.
- a Claudia está pronta.
- quando quiser Roberto Esféricus. – Diogo começara a preocupar-se, sua ele estava em campo aberto e o robô começava a demonstrar que iria revidar os vários tiros que recebera na cabeça.
Beto apontara Claudia com aquele seu olhar e sorriso mather fuck e disparara.
O tiro fizera um rombo no que pseudo abdômen do robô, que parara com sua convulsão ou qualquer movimento instantaneamente.
Em no máximo cinco minutos eles haviam acabaram com tudo, em menos de cinco minutos eles mataram aquele robô gigante e eu estava ali, escorado em um balcão, sem forças nem para gritar e com dor em cada milímetro do corpo.
Até que o Diogo me viu e como é da índole dele, veio me ajudar perguntando se estava todo bem e tals.
A última coisa que eu me lembro foi de ouvir o Affonso ligando para a emergência enquanto o Diogo tentava me manter acordado.
Quando acordei novamente estava no hospital, com a perna engessada e várias bandagens pelo corpo.
Ao lado da minha cama em cima do criado mudo um game portátil com um cartão em cima.
“Isso é para você passar o tempo enquanto se recupera braço, melhoras aí e valeu por ter facilitado o nosso trabalho com aquela lata velha. Um grande abraço dos matadores.”

Apenas sorri, peguei o vídeo game e fui jogar, não podia fazer nada além daquilo, mas confesso que apesar de toda a merda, me sinto bem, fiz parte ainda que não oficialmente, e nem que eles realmente precisassem da minha ajuda, mas fui da equipe MRG por alguns minutos e isso já é foda demais.